
Febe, com cerca de 110 km de raio, é a mais exterior das grandes luas de Saturno
. A sua órbita
retrógrada dista de Saturno, em média, cerca de 13000 milhões de quilómetros, e assenta num plano muito mais próximo da eclíptica
do que do plano equatorial de Saturno. Febe perfaz uma rotação em torno do seu eixo em nove horas – ao contrário de quase todos os outros satélites de Saturno, não apresenta sempre a mesma face ao planeta
.
As características orbitais invulgares de Febe sugerem que esta lua não se formou a partir de matéria local, aquando da formação de Saturno, mas é antes um produto da nebulosa solar
e terá sido, mais tarde, capturada pelo campo gravítico do planeta gigante. Duas cartas publicadas na revista Nature de 5 de Maio vêm confirmar, através da composição de Febe, esta teoria antiga.
A sonda Cassini-Huygens (NASA/ESA) passou por Febe a 11 de Junho de 2004, no seu caminho para Saturno. Até então, pouco se sabia sobre este pequeno satélite. Durante a aproximação, a Cassini obteve imagens pormenorizadas de Febe, o que permitiu aos astrónomos um estudo aprofundado desta lua. Resultados preliminares, com base na estrutura da superfície de Febe, indicaram logo que esta talvez tenha mais a ver com objectos da Cintura de Kuiper
do que com os outros satélites de Saturno (ver notícia de 05/07/2004).
Agora, a análise de todos os dados obtidos com 11 instrumentos da Cassini permite combinar os resultados sobre a estrutura da superfície, a massa
e a composição de Febe. A conclusão é que, de facto, Febe é muito diferente dos outros satélites gelados de Saturno, não só devido à sua invulgar órbita, mas também devido à sua composição.
A Cassini detectou a presença de diversos compostos consistentes com uma superfície de origem cometária, que incorpora matéria do Sistema Solar
mais exterior. Por outro lado, a proporção de rocha e de gelo em Febe não se assemelha à dos outros satélites de Saturno. A densidade
de matéria em Febe é consistente com a dos objectos da Cintura de Kuiper para os quais se determinaram densidades. A massa de Febe, combinada com o volume estimado pelas imagens, indica uma densidade de cerca de 1,6 gr/cm3: a matéria que constitui Febe é muito menos densa que a maioria das rochas, mas é mais densa que o gelo puro (que tem uma densidade de 0,93 gr/cm3). Este resultado sugere que a matéria de Febe é uma mistura de gelo e rocha em proporções semelhantes a Plutão e a Tritão, uma lua de Neptuno...

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